O que se sabe e o que falta esclarecer sobre o plano do PCC para matar promotor do MP

  • 30/08/2025
(Foto: Reprodução)
Empresários são presos por envolvimento em plano do PCC para matar promotor em Campinas Dois empresários foram presos, nesta sexta-feira (29), suspeitos de financiar um plano da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Campinas (SP). Os presos são Maurício Silveira Zambaldi e José Ricardo Ramos, que atuam nos setores de comércio de veículos e transporte. Um deles foi detido no bairro Cambuí, região central de Campinas, e o outro no condomínio Alphaville, na mesma cidade. Um terceiro mandado de prisão foi expedido. Segundo o MP, trata-se de Sérgio Luiz de Freitas Filho, o "Mijão", um dos chefes do PCC. Ele está foragido há anos e pode estar escondido na Bolívia, de onde continuaria comandando atividades criminosas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Além das duas prisões, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira. A operação foi deflagrada pelo Gaeco de Campinas e pelo 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da metrópole. ⬇️ Veja abaixo, em perguntas e respostas, tudo o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o caso. Nesta reportagem, você vai conferir: O que falta saber esclarecer? O que diz a defesa? O que diz o MP? Como o plano do PCC foi descoberto? Quem é o promotor alvo do plano? Quem são os envolvidos? Quem são os envolvidos? De acordo com o MP, três homens são suspeitos de planejar o assassinato do promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco: o empresário Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como "Dragão", associado ao PCC e dono da Dragão Motors e preso na operação desta sexta (29); José Ricardo Ramos, associado ao PCC e dono da JR Ramos Transportes e preso na operação desta sexta (29); Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Serginho Mijão”, um dos chefes do PCC, foragido. Maurício é dono da loja de motos "Dragão Motors", na Vila Joaquim Inácio, em Campinas, e tem 2,8 milhões de seguidores no Instagram. O estabelecimento era usado para fazer a lavagem de dinheiro do PCC. De acordo com o MP, o namorado da filha de Maurício também foi apreendido para apurar se houve tentativa de obstrução da justiça, porque a equipe encontrou o celular dele quebrado sobre o telhado de um imóvel vizinho durante a operação. Milhões de seguidores e vida de luxo: quem é Maurício 'Dragão', empresário suspeito de financiar plano de PCC para matar promotor José Ricardo Ramos é apontado como associado ao PCC e dono da JR Ramos Transportes. Ele tem passagem na polícia por homicídio qualificado, receptação e roubo majorado, sendo que cumpriu pena pelos dois últimos crimes até 2010. Ele teria sido destacado para, ao menos, acompanhar a rotina do promotor e identificar os pontos de frequência habitual, para que o plano para matá-lo fosse executado. Ele também seria o responsável por obter carros blindados e contratar quem praticaria o crime. Sérgio Luiz de Freitas Filho, o "Mijão", é um dos principais articuladores do plano. Um dos chefes do PCC, ele está entre os principais operadores do tráfico de drogas no país, segundo o MP. Foragido há anos, pode estar escondido na Bolívia, de onde continuaria comandando atividades criminosas. Empresários José Ricardo Ramos e Maurício Silveira Zambaldi Reprodução Ministério Público / Arquivo pessoal Quem é o promotor alvo do plano? O promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de Campinas, conduziu investigações sobre esquemas de corrupção em contratos públicos e policiais civis envolvidos com tráfico de drogas.' "A informação que chegou ao nosso conhecimento é que o objetivo desse atentado, dessa emboscada, seria, como já aconteceu no passado outras vezes, tumultuar a apuração dos fatos, desviar os olhares do Ministério Público, ou pelo menos, atrasar a investigação em andamento. E, na verdade, isso acaba efetivamente acontecendo, porque a gente teve que parar o trabalho que a gente estava fazendo, para executar o que a gente está fazendo hoje", explicou o promotor do MP. Relembre. Silveira chegou a receber, em 2013, uma carta com ameaças de morte, informações pessoais, além de fotos da casa dele e de familiares. Um segundo promotor também foi citado na correspondência, que foi digitada e tinha remetente assinado em letras de forma como “chumbo grosso com munições”. Promotor alvo de plano de morte revela que PCC buscava por 'operadores experientes' Como o plano foi descoberto? O promotor de Justiça Marcos Rioli, que atuou na operação desta sexta, informou que o plano foi descoberto na quarta-feira (27). Os empresários teriam arquitetado o plano de assassinato para interromper investigações sobre os crimes cometidos pela facção, como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada. O mesmo plano também tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia de São Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados. Segundo MP, Maurício foi um dos principais alvos investigados em operação que apura os crimes cometidos pela facção, realizada em fevereiro de 2025, e queria matar o promotor para 'recuperar prestígio' no crime. O empresário teria sofrido prejuízos financeiros e desmoralização no meio criminoso após uma operação de busca e apreensão em seus imóveis, feita pelo Ministério Público no dia 18 de fevereiro de 2025. Na época, o empresário quebrou seu aparelho celular e o arremessou pela janela, para impedir acesso às informações nele contidas. O promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Campinas (SP), alvo do plano de assassinato do PCC. Pedro Santana/EPTV Depois da operação, com apoio de “Mijão”, Maurício teria decidido matar o promotor do MP como forma de recuperar prestígio. Para isso, o grupo teria designado José Ricardo para organizar o atentado. Para planejar a morte do promotor, Maurício procurou o empresário José Ricardo Ramos, que também foi preso nesta sexta em Campinas. Ele teria providenciado a aquisição de veículos e armamento, além da contratação de executores para criar uma emboscada ao promotor. José Ricardo tem passagem na polícia por homicídio qualificado, receptação e roubo majorado, sendo que cumpriu pena pelos dois últimos crimes até 2010. Em entrevista exclusiva, o promotor alvo do PCC revelou que o planejamento da emboscada incluía o uso de carros blindados e armamento pesado, como uma metralhadora calibre .50, e a possibilidade de uso de ex-militares, já que o plano buscava por "operadores experientes". As investigações apontam que José Ricardo recebeu um carro blindado, uma Hilux SW4, que seria adaptado para o crime, com troca de placas e instalação de uma metralhadora. Ele teria contratado operadores, inclusive de outros estados, e recebido como pagamento um Porsche, repassado por Maurício e Sérgio, avaliado em quase R$ 1 milhão. O empresário também teria seguido o promotor com ajuda de Thiago Salvador, dono do lava-rápido Eco Wash no Shopping D. Pedro, que forneceu informações sobre a rotina da vítima. Infográfico - Empresários são presos por plano de matar promotor em Campinas (SP) Arte/g1 O que diz o MP? O órgão aponta que o plano teria sido articulado pelo empresário Maurício Silveira Zambaldi, preso em Campinas na manhã desta sexta-feira (29), para recuperar o "prestígio" no meio criminoso depois de ser investigado por associação à organização criminosa Primeiro Comanda da Capital (PCC). O mesmo plano tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia de São Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados. A investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) revelou que o plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho incluía o uso de uma Hilux SW4 blindada, preparada para receber uma metralhadora calibre .50, e a contratação de um executor no Rio de Janeiro. De acordo com o MP, o namorado da filha de Maurício também foi apreendido para apurar se houve tentativa de obstrução da justiça, porque a equipe encontrou o celular dele quebrado sobre o telhado de um imóvel vizinho durante a operação. Além das duas prisões, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira. A operação foi deflagrada pelo Gaeco de Campinas e pelo 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da metrópole. Empresários são presos por envolvimento em plano do PCC para matar promotor em Campinas Polícia Militar O que diz a defesa? A defesa técnica de Maurício Silveira Zambaldi e I. J. F. F. informou que não obteve acesso aos autos da investigação e destacou que os investigados negam qualquer participação em plano que atente contra a integridade física de autoridades. Veja a nota na íntegra: A defesa técnica dos investigados Maurício Silveira Zambaldi e I. J. F. F., no âmbito da investigação denominada Operação Pronta Resposta, conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, informa que: (i) A defesa ainda não obteve acesso amplo e irrestrito aos autos da investigação e aguarda que tal acesso seja concedido nas próximas horas. (ii) Neste momento, ambos os investigados negam veementemente qualquer participação em plano que atente contra a integridade física de autoridades. Qualquer ilação em sentido contrário carece de fundamento. (iii) A defesa técnica confia plenamente que a verdade dos fatos será devidamente estabelecida no curso da investigação. (iv) Os investigados permanecem à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos, sempre na busca da verdade real. Já o advogado Pedro Said, que representa José Ricardo Ramos, destacou que acredita na inocência do empresário, disse que ele "jamais aceitaria participar de um plano dessa natureza" e afirma que "provará a inocência dele na Justiça". O que falta esclarecer? As investigações continuam para localizar o articulador e outros suspeitos, entre eles "Mijão", um dos líderes do PCC, que está foragido há anos. Segundo as investigações, ele pode estar escondido na Bolívia. O promotor pontuou que o trabalho agora visa saber se os fatos já apurados até a prisão dos suspeitos são confirmados. Entre eles, as notícias colhidas de acompanhamento e vigilância que os suspeitos teriam elaborado sobre o promotor. "Através dos recursos que a gente tem de investigação, de atividade de inteligência, para tentar, se é que realmente aconteceu, se aconteceram todos os atos que foram praticados, por quem estava tentando planejar para atentar contra a minha vida", disse. Além disso, Amauri espera identificar se há algum outro motivo que tenha levado ao plano de atentado, além de atrapalhar ou interromper as investigações em curso. "A informação que chegou ao nosso conhecimento, a forma como ela chegou, é que o objetivo desse atentado, dessa emboscada, seria, como já aconteceu no passado outras vezes, tumultuar a apuração dos fatos, desviar os olhares do Ministério Público, ou pelo menos, atrasar a investigação em andamento. E, na verdade, isso acaba efetivamente acontecendo, porque a gente teve que parar o trabalho que a gente estava fazendo, para executar o que a gente está fazendo hoje (prender os suspeitos)", completou. A Justiça de Campinas expediu três mandados de prisão, mas o terceiro investigado segue foragido. Segundo o MP, trata-se de Sérgio Luiz de Freitas Filho, o "Mijão", um dos chefes do PCC Polícia Militar - BAEP VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2025/08/30/o-que-se-sabe-e-o-que-falta-esclarecer-sobre-o-plano-do-pcc-para-matar-promotor-do-mp.ghtml


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